História do Tarot: A Evolução das Imagens

Separando mitos inventados de fatos históricos documentados: como cartas iluminadas à mão para a corte milanesa tornaram-se o cânone arquetípico do esoterismo ocidental.

1. O Nascimento no Renascimento Italiano (Século XV)

Os primeiros baralhos completos de que temos registro histórico foram criados no norte da Itália (Milão, Ferrara e Bolonha) por volta de 1440. Encomendados por famílias nobres como os Visconti e os Sforza, esses baralhos eram chamados de Trionfi (Triunfos, inspirados nos poemas alegóricos de Petrarca) e funcionavam inicialmente como um jogo sofisticado de vazas (o Tarocchi), pintados individualmente com folhas de ouro por artistas da corte.

2. O Cânone de Marselha (Séculos XVII e XVIII)

Com a invenção da xilogravura e a popularização da imprensa, a produção de baralhos transferiu-se para a França, consolidando em cidades como Marselha e Lyon um padrão iconográfico de traços geométricos firmes e cores primárias chapadas (azul, vermelho, amarelo, verde e branco), conhecido como o Tarot de Marselha (Nicolas Conver, Jean Noblet).

3. A Golden Dawn e o Baralho Rider-Waite-Smith (1909)

Em Londres, o místico cristão Arthur Edward Waite uniu-se à talentosa artista e ilustradora Pamela Colman Smith para criar o baralho publicado pela editora William Rider & Son. O grande diferencial dessa obra foi ilustrar todas as 56 cartas dos Arcanos Menores com cenas humanas simbólicas riquíssimas, tornando a leitura intuitiva e acessível para todo o mundo moderno.